Prisão de produtor rural em Caçador gera comoção

Luiz acabou detido e encaminhado a delegacia, por não aceitar a apreensão de mais de R$ 3 mil reais em queijos que ele comercializa na feira

O produtor de queijos artesanais, caçadorense Luiz Petrykowski, passou momentos de horror na quarta-feira (9) durante a tradicional Feira do Produtor Rural em Caçador, onde semanalmente dezenas de produtores rurais comercializam seus produtos com grande publico em todos os momentos. Aos gritos dele mesmo dizendo “algema o agricultor”, Seu Luiz acabou detido pela Polícia Militar e encaminhado a delegacia, por não aceitar a apreensão de mais de R$ 3 mil reais em queijos que ele comercializa na feira, devido a falta de um selo de Inspeção Municipal. A ação tinha a frente dos trabalhos a Vigilância Sanitária.

Em entrevista a Rádio Caçanjurê na manhã desta quinta-feira (10), já mais calmo, o produtor Luiz Petrykowski disse que realmente se exaltou na hora, pois estava vendo todo o trabalho de sua esposa ser apreendido. “Ela faz esses queijos com tanto carinho e cuidado. Os clientes que vão em nossa casa comprar sabem o quanto cuidamos da higiene dos nossos produtos, e tudo que trazemos para a feira vem embalado individualmente”, explica.

Os queijos de seu Luiz Petrykowski já ganharam prêmio nacional e são conhecidos em muitas partes do Brasil. Mas a ausência de um selo, fez com que este senhor de 63 anos do interior caçadorense acabasse detido.

“Nós não somos indústria, somos produtores artesanais e se os órgãos competentes não possuem uma pessoa com formação adequada para promover esta fiscalização, que o façam, pois não podemos continuar sendo tratados desta forma. As autoridades e órgãos competentes precisam achar uma solução para nos ajudar e não olhar somente pela indústria. Agradeço a todas as manifestações de carinho que tenho visto no facebook, das pessoas que conhecem nossos produtos e sabem de como cuidamos de tudo para que seja bem feito. É preciso que olhem por nós, não quero mais ser preso e passar pelo que passei. Estou com medo de voltar para a feira. É hora de dar valor ao produto artesanal e às famílias do campo que vem para a feira ofertar seus produtos e promover seu sustento”, desabafa o produtor.

Deputado toma conhecimento do caso

O deputado estadual Valdir Cobalchini em seu facebook na noite de quarta-feira se pronunciou sobre o assunto e disse que já estaria nesta quinta-feira em Caçador para buscar mais informações sobre o caso. Confira o recado do deputado e o post feito pela sua assessoria.

“Agora à noite tomei conhecimento de algo muito triste em Caçador. A Vigilância Sanitária, acompanhada pela Polícia Militar, prendeu o senhor Luiz Petrikowsky, produtor de queijos nacionalmente premiados. O motivo da prisão, pelo que me foi informado, foi que o senhor Luiz não aceitou a apreensão de seus produtos, pelo simples fato de não possuírem o selo do Serviço de Inspeção Municipal.

Como agente público, entendo o importante papel da Vigilância Sanitária na garantia da higiene e qualidade de produtos alimentícios. Por outro lado, venho de família de agricultores. E ainda hoje mantenho meu sítio. E como caçadorense, conheço a qualidade dos produtos feitos pelos nossos agricultores.

Vou além: o bom senso deve imperar sempre. Não podemos tratar trabalhadores, cidadãos de bem, como se fossem bandidos.

Chegando em Caçador amanhã, irei buscar mais informações e trabalharei para buscarmos uma solução. Nossa Agricultura Familiar merece nosso respeito e apoio e não ser perseguida”.

Legislativo e Executivo se manifestam sobre o ocorrido

O presidente da Câmara de Vereadores de Caçador, Moacir D’Agostini, lamenta o fato ocorrido com o produtor rural Luiz Petrykowiski, preso na tarde de quarta-feira durante a Feira do Produtor Rural, por ter se exaltado ao ver a Vigilância Sanitária apreender seus produtos por falta de um selo de inspeção municipal. Como todos sabem, o queijo da família Petrykowiski já recebeu prêmio nacional.

“Lamento profundamente o fato ocorrido com o Seu Luiz Petrykowski. Sabemos que a Legislação precisa ser cumprida e que a comercialização dos produtos coloniais, assim como de qualquer outro, precisa estar dentro das normas estabelecidas pela Vigilância Sanitária e outros órgãos de controle, no entanto, acredito que esta situação poderia ser resolvida através do diálogo e do bom senso, sem que chegasse ao extremo, com a detenção do produtor rural”, declara Moacir.

O vereador disse estar a disposição para se reunir com os produtores rurais e representantes do Poder Executivo, para juntos discutirem alternativas e possíveis alterações na Legislação Municipal, visando a desburocratização de algumas normas envolvendo a fabricação e comercialização dos produtos coloniais. Tudo isso, sem descuidar das ações necessárias para garantir a qualidade destes produtos e a saúde de quem consome.

“Ao Seu Luiz e seus familiares, fica aqui a nossa solidariedade. Conhecemos a procedência do seu produto, o queijo, premiado nacionalmente, assim como todos os cuidados que têm na hora de fabricá-lo. Não tenho dúvidas que toda esta situação brevemente será resolvida”, finaliza Moacir D’Agostini.

Prefeito Saulo Sperotto se manifesta

Em suas redes sociais, o prefeito Saulo Sperotto também se posicionou sobre o caso.

“Já determinamos para que sejam apuradas as responsabilidades pelo fato registrado nesta quarta-feira na Feira do Produtor Rural. É primordial que todos os produtos de origem animal, que sejam manipulados, tenham a sua certificação. Mas, da mesma forma, é importante que as abordagens de fiscalização se deem de forma ordeira. Por outro lado, desde nossos outros mandatos, respeitamos e apoiamos os produtores rurais, com investimentos em equipamentos e estrutura para aqueles que têm interesse em produzir. A agricultura familiar é fundamental para nossa cidade e vamos trabalhar para que possa sempre manter a comercialização de seus produtos”.

Fonte: Jornal Extra SC
Foto: Jornal Extra SC